A história do DC-3 (ou C-47?) da FAB na Base Aérea de Belém

Quando criança, o autor deste texto, que residia em Icoaraci, na grande Belém, tem vagas lembranças das idas ao centro de Belém pela Rodovia Arthur Bernardes, que passava praticamente dentro da Base Aérea de Belém, na altura da cabeceira 06 do Aeroporto Internacional de Val de Cans. 

O que chamava a atenção, além é claro dos pousos e decolagens que ocorriam durante as passagens de poucos segundos pelo trecho, era um "avião antigo" parado sempre no mesmo local, parecendo esquecido em um pequeno elevado em um canto do sítio aeroportuário. Aquele avião parecia os que víamos nos desenhos animados. Me perguntava "o que ele faz ali?", "será que ainda voa?".

Pois bem, passados alguns anos, a relação com a aviação se estreitou e nos Portões Abertos e Spotters Days da vida enfim pude ver de perto tal avião. Era o Douglas DC-3 do Esquadrão Tracajá, da Força Aérea Brasileira. 



A aeronave, relativamente pequena para os padrões atuais, mas que marcou época na Segunda Guerra Mundial ainda chama à atenção tal como há duas décadas já chamava. Apesar da idade, o DC-3 se mantém imponente e vistoso "olhando para o céu", com sua fuselagem em metal, cromado na barriga, com uma listra preta no meio, pintado de branco na parte superior e com o verde e amarelo no estabilizador vertical. 

O reencontro com o DC-3 respondeu às duas perguntas que me fazia na infância: está ali preservado, representando memórias do passado da Força Aérea Brasileira e não, não voa mais. Foi possível saber o seu "nome", ou melhor sua matrícula: FAB2032. No entanto, este reencontro despertou ainda mais curiosidades: Qual seria a história deste avião? Quantos anos tem? Onde operou? Que missões fazia? Pois bem, nós do UZ7 fomos atrás destas respostas. 

Fabricado pela Douglas Aircraft Company entre 1936 e 1942, o DC-3 representou uma revolução na aviação mundial à sua época. Mostrando-se veloz (180 nós em cruzeiro), eficiente (2.130 milhas de alcance e voando a 23 mil pés), com boa capacidade de passageiros e carga (até 32 pessoas e 11 toneladas de carga), podendo operar em pistas curtas e voando com confiabilidade e segurança, o DC3 representou a abertura de novas rotas na aviação mundial, desde longos voos continentais até mesmo a voos para localidades remotas no interior das grandes cidades. 



Sua funcionalidade era tanta que foi amplamente utilizado na Segunda Guerra Mundial por Forças Aéreas de vários países, inclusive na FAB a partir de 1936, sobretudo para transporte de tropas e de cargas. No meio militar, foi denominado de Douglas C-47. 

Após a Segunda Guerra, sobraram C-47 à rodo ao redor do mundo, principalmente nos Estados Unidos. A partir de então, muitas empresas aéreas e forças armadas de vários países se beneficiaram de preços baixíssimos para adquirir várias destas a aeronaves, que voltariam a se chamar DC-3. E este foi o caso do FAB2032.

De acordo com Luciano Riedi da página Falando de Aviação, no Facebook,, o 2032 foi fabricado em 1943, portando o número de série 20414, voou pela Força Aérea dos Estados Unidos com a matrícula 43-15948. No final de 1946, foi entregue à Reconstruction Finance Corporation, agência independente do governo norte-americano, responsável por estocar, vender ou destruir aeronaves que eram dispensadas pelas Forças Armadas do país, após a Segunda Guerra Mundial. Comprado pela Força Aérea Brasileira, foi matriculado FAB-2032 e serviu ao 1º Esquadrão de Transporte Aéreo (Esquadrão Tracajá), com base em Belém, no Pará, voando também pelo Correio Aéreo Nacional até sua aposentadoria, em 1983, se mantendo preservado desde então. 

Pelas fotos e pelo que foi visto recentemente da aeronave, o estado de conservação é ótimo e este velho senhor de 77 anos sempre aparece muito limpo e bem cuidado em público. Aos cuidados do Esquadrão Tracajá, a memória desde grande ícone da aviação mundial segue preservada na Ala-9, antiga Base Aérea, dentro do Aeroporto Internacioanal de Belém. 





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